Eu, sou, tu, minha vida,
para ti, aqui, daqui,
sente, sua ternura, dura,
dali, verei, tua beleza,
te susterei, consumir-me-ei,
em ti, no teu, recanto, serei,
e não, te deixarei, contigo,
sempre, infundir-te-ei, amor,
para, seres, para, sempre, no meu,
seio, e eu, no teu, do meu, sangue,
te darei, então, em ti, pegarei,
no meu pulso, serás, no teu pálpito,
serei, te moverei, não mais,
bágoas, começas, hoje, a viver.
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quinta-feira, 9 de setembro de 2010
O inferno - Carlos Durão
Ao teu silêncio, condenado,
atoutinho, no escuro, e procuro
a tua voz,
ouço, arfando, na tua ausência,
o silêncio, e te busco
na tua luz,
e apalpo, no escuro, mas só acado,
no silêncio, o começo, duro,
do inferno
atoutinho, no escuro, e procuro
a tua voz,
ouço, arfando, na tua ausência,
o silêncio, e te busco
na tua luz,
e apalpo, no escuro, mas só acado,
no silêncio, o começo, duro,
do inferno
A grafia (e a pronúncia) - Carlos Durão
Na tua, nua
intimidade, pronunciar
os segredos, do teu corpo
te falar, buscar
entre as coxas
a tua flor, amor
beijar, baixar
do teu, corpo
ergueito, ajoelhar
te adorar, percorrer
a tua, grafia
coa minha, língua
firme, abrir
penetrar, demorar
amar, te dar
prazer, ser
o esplendor
do teu, corpo
na tua, nua
intimidade
intimidade, pronunciar
os segredos, do teu corpo
te falar, buscar
entre as coxas
a tua flor, amor
beijar, baixar
do teu, corpo
ergueito, ajoelhar
te adorar, percorrer
a tua, grafia
coa minha, língua
firme, abrir
penetrar, demorar
amar, te dar
prazer, ser
o esplendor
do teu, corpo
na tua, nua
intimidade
Palavras (no escuro) - Carlos Durão
Alvejo-te, admiro-te,
enxergas-me, achegas-me,
descubro-te, acolhes-me,
apalpo-te, apertas-me,
respiras-me, e abro-te!,
e pegas-me, adentras-me,
e deixas-me, amor,
ser,
em ti.
enxergas-me, achegas-me,
descubro-te, acolhes-me,
apalpo-te, apertas-me,
respiras-me, e abro-te!,
e pegas-me, adentras-me,
e deixas-me, amor,
ser,
em ti.
Espelho mentireiro - Carlos Durão
Não te pode dizer
o espelho
a verdade:
a sua imagem é inversa.
Só te pode dizer
a verdade
quem te vê
direito...
o espelho
a verdade:
a sua imagem é inversa.
Só te pode dizer
a verdade
quem te vê
direito...
Na capela de S. Frutuoso...- Carlos Durão
Fruto
não é produto;
fruto é vivo, é começo, semente;
produto
é para uso, usufruto, é anti-fruto;
fruto, como amor,
dá-se, ou conquista-se;
produto vende-se,
consome-se;
fruto dá-se
na árvore, dá-se
a comer, morre,
dá vida;
produto já vem morto,
consome
quem consome;
produto não produz;
fruto reproduz, é fruituro...
ato
perfeito, deixa
fruto.
não é produto;
fruto é vivo, é começo, semente;
produto
é para uso, usufruto, é anti-fruto;
fruto, como amor,
dá-se, ou conquista-se;
produto vende-se,
consome-se;
fruto dá-se
na árvore, dá-se
a comer, morre,
dá vida;
produto já vem morto,
consome
quem consome;
produto não produz;
fruto reproduz, é fruituro...
ato
perfeito, deixa
fruto.
Comover - Carlos Durão
Como ver?
Onde focar?
aquém, sem ver, ainda?
ali, vendo,
o esplendor,
de ser?
além, depois, de vista,
a carne?
ainda além, o corpo,
descarnado?
mais além, trespassando,
a alma?
ou longe, desde o Infindo, amor,
comovido,
a existir?
Onde focar?
aquém, sem ver, ainda?
ali, vendo,
o esplendor,
de ser?
além, depois, de vista,
a carne?
ainda além, o corpo,
descarnado?
mais além, trespassando,
a alma?
ou longe, desde o Infindo, amor,
comovido,
a existir?
Não falemos - Carlos Durão
Não falemos
de amor
(será possível?),
falemos
da dor
(é possível),
do esplendor
de ser...
de amor
(será possível?),
falemos
da dor
(é possível),
do esplendor
de ser...
Numa manhã - Carlos Durão
Numa manhã
fria e molhada,
o vento e a chuiva
a bufar na lixeira,
contra as reixas,
as luzes abraiantes
de Londres a destruir
a intimidade da noite,
o pão do exílio é mau de tragar
fria e molhada,
o vento e a chuiva
a bufar na lixeira,
contra as reixas,
as luzes abraiantes
de Londres a destruir
a intimidade da noite,
o pão do exílio é mau de tragar
Raquel - Carlos Durão
Em Ramala ouve-se uma voz que se lamenta:
É Raquel que chora os seus filhos,
E não quer consolo, porque não são vivos.
(Raquel é
Palestina)
É Raquel que chora os seus filhos,
E não quer consolo, porque não são vivos.
(Raquel é
Palestina)
Carlos Durão
Nem tristuras fundas,
nem alegrias leves,
esperando algo:
firmeza quero,
forte e persistente,
sem esperar, camarada!
nem alegrias leves,
esperando algo:
firmeza quero,
forte e persistente,
sem esperar, camarada!
Como foi? - Carlos Durão
Foram homens,
e mulheres,
que o seguiram.
Foram homens
que o mataram,
num madeiro.
Foram mulheres
que o anunciaram,
redivivo.
Foram homens,
com medo, que acreditaram
nas mulheres.
E o anunciaram,
até dar a vida
(que nos deram)
e mulheres,
que o seguiram.
Foram homens
que o mataram,
num madeiro.
Foram mulheres
que o anunciaram,
redivivo.
Foram homens,
com medo, que acreditaram
nas mulheres.
E o anunciaram,
até dar a vida
(que nos deram)
Amo-te - Carlos Durão
amo-te,
porque me susténs e te sustenho,
porque me curas,
porque [te] dás, e me a[ni]mas,
porque me entendes, e te entendo,
porque me sentes, e te sinto,
porque me fazes ver,
porque me deixas ser,
em ti,
mas, afinal, não sei por que
te amo
-disse-me, ao ouvido,
o meu amor
porque me susténs e te sustenho,
porque me curas,
porque [te] dás, e me a[ni]mas,
porque me entendes, e te entendo,
porque me sentes, e te sinto,
porque me fazes ver,
porque me deixas ser,
em ti,
mas, afinal, não sei por que
te amo
-disse-me, ao ouvido,
o meu amor
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